Livros: capas, composição, invenção

Das poucas coisas desse mundo que eu realmente amo, uma delas é livro. Pra eu comprar um livro ele precisa ter (sem contar o conteúdo, óbvio) capa dura, páginas costuradas, um bom tipo de letra, de preferência uma luva, adoraria se tivesse cor especial… isso tudo quando é possível. Quer dizer, mesmo que eu pague mais caro, prefiro procurar uma edição de um certo livro que responda a essas minhas exigências, já que algumas delas implicam em um livro de maior durabilidade. Mas, se tem uma coisa que realmente chama a minha atenção em um livro, é a capa.

A capa, fator determinante na hora da compra. Ilustrada ou não, de papel ou tecido, com ou sem relevo seco, ou verniz de reserva, enfim, a composição que dá a cara ao livro, a primeira conversa entre obra e leitor, é pra mim tão importante quanto o texto em si. Tal qual a série de livros da Penguin Books, que foi lançada há algum tempo, e que possui capas criadas pela designer Coralie Bickford-Smith, todas elas de tecido, com ilustrações e título serigrafados. As capas mostram apenas um objeto que faz referência à história, como os flamingos em Alice no País das Maravilhas ou as ondas do mar em A Odisséia. Cada capa é bela sozinha, mas ter a coleção completa alinhada em sua prateleira deve ser mesmo uma belíssima visão. (Não tem nada a ver, mas umas das capas dela me lembram um pouco ilustrações de M.C. Escher)

Luva transparente do livro

Mais fantásticas ainda são as capas criadas por Jim Tierney, como seu trabalho de graduação, para uma série de livros com estórias de Julio Verne. Elas possuem luvas com faca especial, transparência, e são interativas, além de ter lindas ilustrações. Infelizmente, as páginas destes livros estão todas em branco, mas gostaria que eles servissem de inspiração para que os designers das editoras se sintam mais livres para criar experiências visual e táteis para os leitores, complementando a estória impressa no livro. Veja como são as capas dos livros de Tierney:

Moby Dick da Cosac Naify

Aliás, as próprias páginas do livro são passíveis de experimentação, como na edição (que eu tenho!) de Moby Dick lançado pela Cosac Naify, em que os capítulos se iniciam em alturas diferentes da página, dando a idéia do subir e descer das ondas do mar.

Eu mesmo, vez em quando, faço à mão um livrinho ou um caderno em que posso brincar um pouco com a capa, com o texto e a diagramação e composição das páginas. Aí recorto máscara de transferência na plotter e colo no livro pra imitar verniz, faço buracos nas páginas, crio luvas com papéis diferentes, enfim, faço o que posso pra satisfazer minha vontade de criar um livro diferente e interessante. Gosto mesmo de livros.

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