Esclarecendo algumas dúvidas sobre fontes

Helvetica®, criada por Max Miedinger em 1957

Quando eu comecei a estudar design, comecei a entender os tipos e as fontes mas, ainda assim, depois de ter terminado a faculdade e estar trabalhando, mexendo com fontes digitais o dia inteiro, todos os dias, ainda restavam algumas dúvidas (e um pouco de birra também). Acontece que eu gosto muito de ter as coisas bem organizadas, funcionando direitinho e sem dar nenhuma dor de cabeça e, acredite, as mesmas fontes, em computadores diferentes, pode ser muito irritante!

A começar pelo simples fato de que eu sempre (SEMPRE) digo, no começo de um projeto, que, escolhido o tipo a ser usado nos títulos e textos das peças, que a gente precisa comprar licenças de uso dos tais tipos. Mas, me diga, quem se dá ao trabalho de gastar dinheiro com licenças de fontes quando podem baixar de graça pela internet, não é mesmo? Isso já é uma coisa que me incomoda profundamente. Aí você pode me questionar, dizendo que, realmente, se você pode baixar uma fonte na internet, por que pagar por ela?

Perceba como a curva do "n" é mal desenhada e torta.

Eu digo que, fazendo download nos mil sites de “fontes grátis” que existem você perde, e muito, na qualidade da fonte. Pode fazer o teste: aquela fonte linda que você baixou por torrent, além de ser cópia de um produto registrado, é bem provável ser mal desenhada. Amplie bem a letra e você vai ver que a curva entre a haste e a serifa não é perfeita, o kerning é desgraçado e ela não tem ligaturas! Ainda por cima, você ainda vai ser obrigado a baixar fonte por fonte, ao invés de uma família completa.

Além de ser uma caca, baixar fontes e torto e direito dá muita confusão na hora de desenvolver os layouts e, principalmente, finalizar as peças. Porque as fontes não serão as mesmas em cada computador, e o trabalho não é consistente. Além do que, talvez você não tenha reparado – ou até tenha reparado, mas nunca questionou: quando você e seus colegas de trabalho fazem download de arquivos de fonte, pode se deparar com acrônimos como MT, DIN, ITC, TT, OT, LT, CY, HDV, Pro, além, é claro, dos formatos de arquivo OTF, TTF e PS1. Isso já me causou um bocado de dor de cabeça e, apesar de eu não ser especialista em tipos, dá pra esclarecer alguns desses acrônimos:

Antes de mais nada, “tipo” e “fonte” são termos diferentes, e ainda causam discussão sobre quando usa-los. “Tipo” é uma coleção de letras, números, símbolos e pontuação desenhados em unidade, por exemplo Helvetica e Trajan. Os tipos geralmente são classificados em três categorias: serifadas, como Garamond e Bodoni; góticas, como Frutiger e Gill Sans; e caligráficas, como a Brush Script. Já “Fonte” refere-se, historicamente, a qualquer tamanho ou variante estilística de um tipo como, por exemplo, Garamond 12 pontos. Com o uso dos tipos digitais, o tamanho das fontes pode ser facilmente alterado e, por isso, não é usado na descrição da fonte. Muitos designers definem, hoje, uma fonte como qualquer coisa que permita a impressão de um tipo. Nos computadores, a fonte é o arquivo que contém os caracteres e formatação de um tipo.

Formatos de fonte são PostScript (PS1), que é ultrapassado; TrueType (TTF), desenvolvido pela Apple e que são fontes nativas de computadores Mac e Windows; e OpenType (OTF), desenvolvido pela Adobe e Microsoft para facilitar o uso das fontes. Um único arquivo OpenType contém toda a informação de um tipo: metrics, kerning, outline, hintsbitmaps.

Ícones das fontes TrueType e OpenType

Fontes com nomenclatura TT e OT são, como eu disse acima, TrueType e OpenType, respectivamente, e possuem suporte para línguas ocidentais e do sudeste da Europa: tem todos os caracteres, acentuação, etc. Fontes OpenType Pro possuem suporte para mais línguas, normalmente da Europa Central e o Turco mas, conforme você vai chegando no oriente, passando da Europa, surgem novas acentuações e caracteres, que são suportadas por fontes com outras terminações, como CE (Europa Central), GR (Grego), CY (Cirílico) e ML (múltipla linguagem), entre outros.

Por fim, é muito comum encontrar, nos nomes das fontes, siglas como ITC, BT e LT que são, nada mais nada menos, que os fabricantes ou distribuidores das fontes. BT é o acrônimo de Bitstream, ITC é International Typeface Corporation e LT (não confundir com a variante light do tipo) é Linotype Library, entre muitas e muitas outras.

Por essas e outras tantas características de cada tipo e fonte, é que eu insisto que deve-se adquirir licenças de uso dos tipos, para garantir sua qualidade e, principalmente, do seu trabalho. Comprar licenças impede que os arquivos de fonte sejam de má qualidade, impedem que sejam de vários distribuidores diferentes e garantem que todos os caracteres, acentuação e pontuação usados na língua em que é feito o trabalho, estejam lá.

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4 comentários em “Esclarecendo algumas dúvidas sobre fontes

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