Fotografias em palavras

Invenção de Matt Richardson

Matt Richardson fez o inesperado – em plena era da informação, em que recebemos uma tonelada de imagens a todo instante, pixels, cores… e as pessoas escrevendo cada vez menos – ele criou uma câmera que é o contrário de fotográfica, ela é apenas gráfica. Ao invés de produzir uma imagem, a Descriptive Camera gera uma descrição textual da cena.

“Conforme acumulamos uma quantidade incrível de fotos, vai se tornando mais difícil gerenciar nossas coleções. Imagine se metadados descritivos sobre cada foto pudessem ser anexados automaticamente à imagem  – informação sobre quem está em cada foto, o que estão fazendo, e seu ambiente poderia se tornar incrivelmente útil sendo possível buscar, filtrar e cruzar referências em nossa coleção de fotos. […] a Descriptive Camera explora essas possibilidades.”

Imagem descrita pela câmera
Esta é a imagem descrita pela câmera na foto lá de cima

A ideia de gerar metadados para facilitar na organização das fotos digitais é relevante e prática, mas o conceito por trás de imprimir a descrição da foto, ao invés da imagem em si, é mais interessante. Claro que a intenção de Matt é que ambos (imagem + descrição) trabalhem juntos, mas reflita quão atraente seria uma coleção de “descrições de imagens”, ou uma exposição, por exemplo. Você estaria à mercê da sua capacidade criativa, se vendo obrigado a criar as próprias imagens a partir de palavras, e o faria baseado em suas próprias experiências! Alguém aqui fez alguma relação com, digamos… livros? Trocando em miúdos, cada um experimentaria sensações e criaria versões diferentes de cada “fotografia”. Eu acho incrível, só de pensar.

Impressos com descrições das imagens

Ainda fico meio cético quanto à capacidade da Descriptive Camera de perceber, interpretar e descrever uma cena. Num dos exemplos, a câmera descreve uma prateleira como “feia”, então eu gostaria de entender melhor o caminho que o computador faz para julgar a aparência da mobília, quero dizer, podemos até definir parâmetros que nos aproximem de uma decisão dessas, mas estética e gosto ainda são algo bastante pessoal. Então fico na dúvida quanto do trabalho foi feito pela câmera, quanto pelo programador.

Mas tirando meu ceticismo e, com os avanços da inteligência artificial, não vejo por que não teríamos o conceito da Descriptive Camera atrelado às nossas câmeras digitais, smartphones ou serviços como Facebook.

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Um comentário em “Fotografias em palavras

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