Anti Design

O espanhol Chacho Puebla teve uma ideia que chega a dar arrepios e pesadelos em nós, designers, e outros que trabalham com artes visuais, nos faz lembrar dos horrores que surgem em nosso caminho no dia-a-dia… no entanto, fez desta ideia um projeto interessante, que discute algumas “regras” do design gráfico. Chacho inverteu os papéis, vestiu a camisa do “sobrinho” (termo mais pejorativo que “micreiro”) e decidiu transformar o belo em feio. Selecionou uma série de projetos gráficos que ele gosta e tentou deixa-los o mais feio possível… claro, do ponto de vista do design.

Anti-Design-1

Ele buscou usar os mesmos elementos e layout nas suas “destruições”, sempre tendo como foco o questionamento de quem estabeleceu o que é belo no design gráfico:

“Uma grande proporção do trabalho gráfico hoje é feio. Bom, pelo menos de acordo com os padrões estabelecidos e o trabalho de profissionais. Nós aplaudimos certas estruturas e buscas. Todos a favor de uma harmonia e construção visual onde toda colectividade determina o que é esteticamente agradável. No entanto, a maioria das pessoas não as vêem assim.”

Podemos chamar esta grande parcela da população de ignorantes visuais, mas a dura realidade é que nós é que fazemos parte de uma minoria que quer tudo belo e harmonizado.

O trabalho de Chancho é, sem dúvida, interessante, mas tem-se que levar em consideração que ele próprio é designer, então existe um limite camuflado de quão mal ele é capaz de fazer seu trabalho – harmonia, estética e outras “regras” estão gravadas no inconsciente de Chancho tanto quanto de qualquer outro Designer (o uso do D maiúsculo tem a intenção de reforçar o título de designer no quesito de sua formação acadêmica).

Anti-Design-2

Então volto à questão: quem realmente estabeleceu as regras de estética no design gráfico? Sabemos que os padrões harmônicos nas artes visuais vêm de séculos, mas não acredito que exista “um responsável”, mas sim uma evolução, culminando no que entendemos hoje como belo. Texto desalinhado me incomoda, mas minha formação é a culpada disto, ou é simplesmente meu cérebro encontrando um detalhe cagando com a harmonia? Veja bem, o cérebro humano é capaz de reconhecer padrões e estabelecer alinhamentos entre elementos automaticamente, e perceber quando algo está fora do lugar… portanto acho que harmonia, estética e beleza são conceitos que já vêm instalados de fábrica no nosso inconsciente, e o design só se encarregou de agrega-los em “regras”.

Anúncios

Comente

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s