The Last of Us é um game inesquecível

Há tempos eu não jogava nada que me segurasse por bastante tempo, ao longo de várias semanas, e com partidas durando tantas horas. Mas The Last of Us, da Naughty Dog, é assim… e posso me assegurar de que ele é um dos grandes games desta geração, por alguns motivos.

“A queda da civilização redefine os limites morais. Palavras como ladrão e assassino não te marcam mais como criminoso; todos precisam roubar, matar e fazer o que for preciso para sobreviver. Humanos andam em bandos como cães selvagens, reivindicando seu território e matando qualquer invasor.[…]A vida é triste, brutal e cansativa. O amanhã não existe quando o cheiro da morte perdura como a neblina e a esperança se extinguiu a anos. Só existe o hoje; só existe o agora. Morais? Moral não coloca comida na sua boca ou um teto sobre sua cabeça. Morais são para os fracos. E você não é fraco.” – Tom Mc Shea, editor do Gamespot.

The Last of Us, do ponto de vista do desenvolvimento, é um paradoxo: chegou tarde, ao mesmo tempo que chegou cedo. O que eu quero dizer é: o tema principal é zumbi, mortos-vivos sedentos por carne humana… e este tema já deu o que tinha que dar há tempos (Plants vs. Zombies, sério)! Mas, em compensação, a abordagem do game neste assunto, priorizando a sobrevivência, com seres humanos formando grupos, buscando proteção e comida, reconstruindo comunidades e até o background científico que busca explicar as mutações, dão a Last of Us uma cara nova, diferente dos outros jogos de mata-mata zumbi.

Joel enfrenta um Estalador
Joel enfrenta um Estalador

Além disso, a jogabilidade também é inovadora, porque é o primeiro game que eu jogo em que é melhor se esconder e ficar em silêncio do que sair atirando a torto e direito. Sério, em uma sala cheia de Estaladores, a última coisa que você quer fazer é barulho! Morrer é fácil, bastam poucos tiros ou uma mordida. Recuperar sua vida leva tempo, o personagem principal Joel precisa fazer os curativos, não é simplesmente apertar um botão. Os combates, principalmente com outros humanos, são bastante tensos, e os inimigos tendem a se organizar, então não é raro ser surpreendido por alguém que veio por trás ou que te viu por uma fresta na porta, por exemplo. E eles não estão preocupados se estão atacando um homem de meia-idade ou uma menina. Teve um momento no jogo em que fui atacado por uns 20 homens e quase morri algumas vezes, mas consegui me safar… este evento me deixou tão abalado que passei 2 semanas sem jogar The Last of Us.

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Os personagens são realistas. As emoções, as reações e os diálogos são imersivos. Joel, o personagem que você controla, é egoísta, fisicamente e emocionalmente distante, e comumente reage de maneira agressiva, inclusive com a menina Ellie, de quem a gente gosta imediatamente e, mais importante, é possível acompanhar seu crescimento de medrosa a uma menina sem medo da morte (lembra da Evey Hammond de V de Vingança?).

“Ao contrário de tantos outros, Ellie não é regida pelo medo. Ela fala como uma menina em busca de normalidade, assoviando ou cantarolando durante momentos tranqüilos, fantasiando sobre aulas de natação, e rindo dos problemas que assombravam as meninas antes do surto. Garotos? Escola? Problemas que parecem deploráveis quando seu estômago está roncando por dias e você assistiu um zumbi matar seu melhor amigo, mas ainda assim Ellie lembra deles.” – Tom Mc Shea.

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Os cenários são muito bons. Fica claro que os desenvolvedores imaginaram cidades comuns e as destruíram, ao invés de simplesmente criar mundos despedaçados, então é possível, em vários momentos, ver histórias e o passado das famílias nos objetos deixados para trás. Por fim, o sistema de artesanato também é um bônus, e exige que você explore os cenários em busca de recursos para montar kits médicos e armas, criando uma conexão entre o jogador e este mundo apocalíptico.

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Com 20 horas de jogo, acho que The Last of Us tem um tamanho bastante razoável, além de uma opção multiplayer que também envolve esgueirar-se pelos cantos ao invés de simplesmente sair atirando. É possível jogar durante horas a fio, explorando cada canto e buscando a melhor estratégia de sobrevivência mas, mais importante, vendo Ellie crescer.

“Sua natureza inspiradora está em nítido contraste com as pessoas e os acontecimentos em torno dela, obrigando você a protegê-la e estimá-la.”

The Last of Us é jogo obrigatório para qualquer dono de PS3, uma aventura única que espero que inspire muitos outros jogos que vierem no futuro. Tirou nota 10 no site IGN e também no meu coração… se você não jogou ainda, cara, joga!

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