A teoria da cor no século XVIII

Teoria da cor, bela disciplina que me acompanhou durante os anos de faculdade e que se faz presente em cada dia da minha vida que me sento para criar. Lá no século 18, cientistas se dedicaram a esmiuçar as descobertas de Isaac Newton e estabelecer padrões e definições para as cores criadas com a base “vermelho, amarelo e azul” (as cores primárias, lembra?), criando tabelas e gráficos que vemos até hoje em aplicações como o Photoshop, por exemplo.

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No entanto, o círculo cromático que conhecemos, base para o estudo das cores, foi criado no século anterior, tendo aparecido em publicações em toda a Europa de 1672 até o final do século 18. A imagem acima, de uma edição de 1708 e criado por C.B., é o primeiro exemplo publicado de círculos cromáticos no estilo dos estudos de Newton a aparecer em um manual de artista.

O entomologista Ignaz Schiffermüller aprimorou o círculo cromático para uma versão com mais nuances, expressando melhor as conexões lógicas entre as harmonias cromáticas, mas que também fosse prática e servisse como base para a classificação e produção de pigmentos. O círculo de Schiffermüller era composto pelas três cores primárias, as três secundárias (formadas por sua combinação) e seis terciárias:

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Mas foi o entomologista e calcógrafo inglês Moses Harris quem acabou por definir o círculo cromático, adicionando não somente as nuances mas também as tonalidades, da maneira como usam os softwares gráficos hoje em dia. A presença de todas as cores em uma única página simplificou sua combinação e o reconhecimento da relação entre as cores.

O círculo de Harris demonstrava a teoria de que todas as cores eram formadas por vermelho, amarelo e azul, mas era baseado em uma sequência prismática de seis cores, ao invés de somente as primárias. É possível calcular as relações entre as cores e as tonalidades a partir de seu sistema.

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Círculo prismático de Moses Harris
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Sistema L*a*b

O modelo de Harris serviu como base para a estruturação dos sistemas de cores que estamos acostumados hoje, principalmente quando se trata de pigmento (síntese subtrativa).

E quanto à nomenclatura?

Talvez o maior problema em relação às cores, e isso nota-se até hoje, é quanto aos nomes de cada cor. É possível nomear todas? O que é exatamente verde-papagaio, azul-da-prússia ou escarlate? O nome aurora é mais atraente para o comprador do que V3A(3 partes de vermelho por 9 de amarelo).

Nomes diferem pela língua, região, produtor, métodos de preparação e ocasionalmente caprichos de um mercador. Termos diferentes podem indicar cores visualmente indistinguíveis, ao mesmo tempo que podem ser usadas para cores diferentes.

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Um pedaço de tecido e a cor nankeen.

Curiosamente a cor nankeen, na China, definia uma tonalidade de amarelo-marrom natural do tecido. Referências sugerem que pela Europa a nankeen variava de amarelo pálido a um amarelo forte de mostarda inglesa. O nanquim, por sua vez, é um pigmento preto cuja origem se deu na cidade chinesa de Nanquim (Nanjing).

Apesar de ainda ser praticamente impossível que todas as pessoas comuns concordem quanto ao nome das cores – violeta não é roxo claro, é uma cor diferente, ok? – felizmente nos dias de hoje podemos contar com sistemas de padronização de cor como a Pantone pra não ter mais briga.

Para uma leitura bem mais profunda sobre a criação da cor no século 18 veja The Creation of Color in Eighteenth Century Europe, de Sarah Lowengard.

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3 comentários em “A teoria da cor no século XVIII

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