Beyond: Two Souls é excepcional… mas talvez eu não queira jogar mais nada assim

Beyond Two Souls 1Terminei Beyond: Two Souls, provavelmente o game mais ambicioso da sua geração. É um jogo excelente, com qualidade gráfica inacreditável, história envolvente, ótima jogabilidade e a própria Ellen Page no papel principal. Mas, talvez, eu nunca mais queira jogar nada como ele. Por quê?

O gameplay é incomum…

Por melhor e mais bem produzido que seja Beyond: Two Souls, eu não consegui percebê-lo como um video game. Ele é excepcional, sim, tem várias qualidades que posso apontar, mas ainda assim não parece um video game (ao menos não da maneira como entendemos um)… está mais próximo de algo como um filme interativo. Um filme que nunca acaba.

Beyond Two Souls 5

“De uma maneira bastante simplificada, ele é quase um quick time event de 12 horas permeado por alguns momentos em que você precisa movimentar o personagem em algum lugar – esse é o máximo de controle que você tem sobre as cenas.” – Giovana Penatti, para o site Tecnoblog.

Para que esta experiência de jogo exista, a jogabilidade é reduzida ao máximo, com o jogador interagindo somente apontando o analógico nas direções que o game manda e/ou apertando repetidamente uma série de botões também pré-definidos. O máximo de “exploração” dos ambientes se resume a buscar o objeto que dará início ao próximo evento, e este é normalmente algo simples, como um botão ou uma porta. Noutros momentos, também, o game sugere interações que não acrescentam nada à história (e, em casos, se tornam até entediantes), como servir um prato ou fazer as malas.

A pequena (e perturbada) Jodie
A pequena (e perturbada) Jodie

A Quantic Dream, produtora do game, afirma que a decisão de simplificar ao máximo a jogabilidade é para condicionar o jogador a prestar mais atenção às cenas e ao enredo do que como fazê-la se desenrolar.

Outro aspecto de Beyond que pode incomodar os jogadores é que é praticamente impossível errar no jogo. Explicando melhor, é possível fazer escolhas “erradas” (e Jodie na maior parte dos casos acaba se machucando) mas o game sempre mexe uns pauzinhos para que você consiga se safar e ir em frente. Ah, e Jodie nunca morre (do ponto-de-vista de um game com checkpoints e tal)!

Tela do app para smartphone
Tela do app para smartphone

Mudando de assunto, o único “erro” (entre aspas porque é minha opinião) no gameplay está no app para smartphone. É possível jogar usando seu smartphone ao invés do joystick, mas esta é uma experiência frustrante (porque os controles são ruins) e desnecessária… a não ser que você só tenha 1 joystick e queira jogar o modo co-op, em que o player 1 controla Jodie e o player 2 controla Aiden – embora esta experiência também seja um pouco frustrante, já que cada jogador precisa “esperar sua vez” para controlar sua personagem.

…mas o resto é incrível!

Se o gameplay é diferente de tudo que nós conhecemos (talvez diferente até demais), a qualidade do jogo é garantida pelo trabalho excelente com os gráficos e a história.

A personagem Jodie (interpretada pela Ellen Page) nasceu ligada ao espírito Aiden – ambos são controlados pelo jogador – e o game conta 15 anos da vida da menina, desde a infância sofrendo bullying até o emprego (forçado) na CIA, mas de forma não-linear. Os eventos vão sendo entregues ao jogador aos poucos (alguns dependem das suas decisões, embora os meios não necessariamente alteram os fins) e você precisa mesmo jogar o game até o final para juntar todas as peças… o que não é um esforço, já que a história e os personagens são cativantes. Vale destacar que, apesar de o game te controlar muito mais do que você o controla, existem 24 finais diferentes, que você pode conferir neste link (spoiler alert!)

As personagens são, sem dúvida, o ponto mais forte de Beyond: Two Souls. Se eu disse lá no início do post que este é o game mais ambicioso da sua geração, é por causa delas: todo o game foi criado com tecnologia de captura de movimentos (mocap) e atuações reais de Ellen Page, Willem DaFoe e um bom elenco – a tecnologia é a mesma usada no Gollum de Senhor dos Anéis e no game L.A. Noir. Dá uma olhada no making of:

Já que a equipe teve o trabalho de capturar a atuação, nada melhor do que caprichar nos gráficos. As texturas são de cair o queixo, e os closes nos rostos das personagens revelam detalhes da pele, dos fios dos cabelos, do brilho dos olhos e até do suor e lágrimas – sem dúvida são os gráficos mais lindos que eu já presenciei em um game! Ah, e a Jodie é a cara da Ellen Page!

Repare no brilho das lágrimas no rosto de Jodie
Repare no brilho das lágrimas no rosto de Jodie

Eu recomendo, mas com cautela

Apesar da jogabilidade travada e de se parecer mais com um filme interativo do que um game de fato, eu o recomendo. É uma experiência sem precedentes, mesmo considerando que existem, há décadas, games que são realmente filmes interativos (embora a tecnologia empregada seja diferente, já que na década de 90, por exemplo, os games que eram filmes interativos eram, na verdade, desenhos animados ou filmagens live action com jogabilidade normalmente estilo point and click… a lista é longa, mas você deve se lembrar de MadDog McCree).

Beyond Two Souls 4

Provavelmente não veremos outro game nos moldes de Beyond: Two Souls tão cedo. Não espere grandes momentos de ação, mas se quiser jogar algo que nunca jogou antes, este game é pra você. Meu ceticismo nos primeiros momentos do jogo se transformaram em admiração ao longo das suas tantas horas… mas vale lembrar que, com uma proposta tão diferente, em que a jogabilidade lhe é privada em favor do enredo, ele talvez não agrade a todos. Eu adorei, mas talvez não queira jogar mais nada neste estilo… ainda prefiro poder fazer no jogo o que eu quiser. Ainda assim, foi bom conhecer esta experiência tão diferente.

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