Fontes tipográficas para solucionar problemas específicos

Muito embora eu tenha estudado tipografia na faculdade e este processo seja parte integrante do meu dia-a-dia, acho que nunca discuti diretamente as formas como tipos de letra podem ser desenhados para solucionar (ou remediar) problemas específicos, incluindo distúrbios de atenção.

Um estudo a fundo pode revelar muitos outros tipos de letra, mas neste post manterei um número mínimo de exemplos para diferentes problemas, aí cabe a você, leitor, buscar outros exemplos caso este assunto lhe interesse. Os tipos de letra a seguir não foram projetados com base em razões puramente estéticas, e por isto são interessantes:

Uma fonte que economiza tinta de impressão

Este primeiro exemplo não é exatamente uma fonte, mas um software chamado Ecofont que modifica os tipos de letra originais e promete uma economia de até 50% de tinta (se você usar a Arial com o Ecofont, a economia é de cerca de 28%).

ecofont

O que o Ecofont faz é criar pequenos buracos no texto impresso, quase imperceptíveis, efetivamente usando menos tinta mas sem prejudicar a qualidade da fonte original e sua leiturabilidade.

Uma fonte que não distrai (tanto) o motorista

Com os consoles dos carros ganhando cada vez mais funções, e elas normalmente envolvendo texto – como GPS, players de música, conexão com smartphones, etc. – é essencial que a leitura seja o mais rápida possível, principalmente se você for o motorista. A type foundry Monotype desenvolveu uma fonte que promete não roubar sua atenção do trânsito.

burlingame-fontburlingame-font-2

O que torna a Burlingame eficiente é que nenhum de seus caracteres pode ser confundido com outro. Isto aqui: O0o* não acontece. Um estudo do MIT revelou que os motoristas tiveram melhora de 13% no tempo de leitura enquanto comparavam a Burlingame com outras fontes.

*Isto é um “o” caixa alta, um zero e um “o” caixa baixa.

Uma fonte que auxilia o trabalho dos programadores

A maioria dos programadores usa fontes mono-espaçadas (fixed width), que tem letras da mesma largura, para que seja mais fácil encontrar erros em meio a tanto código. Só que torna-se cansativo para os olhos processar as letras miúdas na tela do computador, hora após hora, e por isto que David Jonathan Ross, um programador que se tornou designer, desenvolveu o tipo de letra Input.

input-font

A Input também é mono-espaçada, mas Ross deu a ela uma variedade de estilos e tamanhos, com a intenção de minimizar o cansaço dos olhos, tornando as telas cheias de códigos mais fáceis de enxergar ao longo do dia.

Uma fonte própria para disléxicos

Esta é, de longe, a mais polêmica, e eu nem saberia descrever sua eficiência porque não sou disléxico – o jornal The Guardian, no entanto, afirma que a fonte ajuda os disléxicos a lerem até 85% mais rápido.

dyslexie-font

A Dyslexie foi criada pelo designer Christian Boer com a intenção de neutralizar alguns dos efeitos deste distúrbio. O designer, diga-se de passagem, é disléxico. Para leitores como ele, as letras giram e se movem na página, e caracteres com formatos parecidos se embaralham.

Ao distorcer as formas e os pesos das letras, o designer faz com que os caracteres fiquem “ancorados” à baseline, impedidos de se misturar, mantendo-se visualmente no lugar.

dyslexie-font-2

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