Um pouco sobre impressão e os clássicos catálogos de tipos

Já há algumas décadas a tipografia está intimamente ligada ao trabalho no computador e, quando pensamos em tipografia, logo vêm à cabeça fontes digitais mas, durante quase dois mil anos – se considerarmos os primórdios da impressão de blocos, desenvolvida com peças de madeira que continham textos, na China do século II – a tipografia era totalmente trabalho de artesãos.

chinese-woodblock[Bastante tempo] depois da impressão de blocos chinesa, veio a grande revolução encabeçada pelo alemão Johannes Gutenberg no século XV, que introduziu os tipos móveis de metal, encaixados para virar pequenos carimbos (páginas) que imprimiam a tinta no papel dos livros – o primeiro livro impresso por Gutenberg foi a Bíblia, entre 1450 e 1455.

Uma boa maneira de diferenciar tipo (design) e fonte (o meio, o lugar onde se guarda o tipo) é saber que o nome “fonte” vem de “derretido, líquido”, que era o nome dado ao recipiente que trazia o metal derretido antes dele ser colocado nas matrizes que iriam virar os caracteres; tanto é que, até hoje, as empresas que criam fontes ainda são chamadas type foundries, que é, literalmente, uma fundição de tipos.

A primeira type foundry foi criada em 1476, quando o inglês William Caxton trouxe de suas viagens o conhecimento da tecnologia de impressão alemã. Desde então, os comerciantes de tipos imprimiam catálogos para apresentar seus produtos – diferentes famílias, estilos e tamanhos para o designer ter uma ideia de versatilidade.

O estudioso Maurice Annenberg, enquanto pesquisava material para seu livro Type Foundries of America and Their Catalogs, publicado pela primeira vez em 1975, notou uma procura muito grande de antigos catálogos pelos designers, pois estes haviam percebido seu valor como fonte original para tipos exóticos e excêntricos, resultando em um retorno de designs clássicos e surgimento de estilos retro na década de 1970.

HellerType5
Para quem não sabe, o termo “Pi” é quando uma gaveta de tipos móveis cai no chão e espalha todas as peças, misturando estilos e tamanhos.

Se analisarmos com mais carinho, podemos perceber que os catálogos de tipos são reflexo de todo tipo de mudança socio-cultural e política. O final do século XIX, por exemplo, marca o início das impressões em larga escala de anúncios e embalagens, então os tipos deixam de funcionar somente como um instrumento – como no tempo de Gutenberg – e passam a ter que chamar a atenção e incitar o consumo.

A época dos catálogos de tipos já ficou bastante para trás, e faz parte do nosso dia-a-dia experimentar diferentes fontes nos sites das type foundries… porém, é claro, tem gente que coleciona catálogos de tipos, e felizmente um grupo de entusiastas mantém viva a impressão com tipos móveis em várias partes do mundo, mas principalmente como hobby – como no documentário que falei neste post.

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