Você devia planejar trocar de emprego a cada três anos

No meu post mais recente aqui do blog, dissertei sobre os vários motivos pelos quais os criativos têm deixado as agências de propaganda – assim como eu – em favor de trabalhos mais satisfatórios e com maior janela de crescimento.

Mandei o texto para uma antiga amiga de faculdade, que tem o costume de trocar de empregos com certa frequência – e hoje vive e trabalha em San Francisco – e ela, que sempre me incentivou a fazer o mesmo, me mandou de volta um artigo muito interessante da Fast Company, que tomei a liberdade de traduzir e replicar aqui no blog, ipsis literis:

Trocar de emprego a cada dois anos costumava ficar feio no currículo; queria dizer aos recrutadores que você não conseguia se manter em um trabalho, não se dava bem com seus colegas, ou que simplesmente era infiel e não se comprometia.

Este estigma está se tornando antiquado rapidamente – especialmente com os millennials entrando no mercado de trabalho com expectativa de continuar aprendendo, se desenvolvendo e avançando em suas carreiras. Este sentimento é diferente da crença das gerações passadas que você deveria se firmar em um emprego pela vida toda, na esperança que seu empregador te trataria justamente no final, com um plano de aposentadoria compatível, entre outros benefícios.

Há muitos argumentos para pular de galho em galho a cada poucos anos: a economia já não é mais a mesma – e nunca mais será; trabalhadores que ficam em uma empresa por mais de dois anos tendem a receber 50% menos; e acredita-se que quem troca de emprego com frequência tem uma alta curva de aprendizagem, trabalha melhor e é até mais leal [ao emprego] porque precisa causar uma boa impressão no pouco tempo em que irá permanecer naquele emprego.

Patty McCord, ex-chefe de talentos da Netflix (e responsável pela atual cultura inovadora de trabalho da empresa), diz que trocar de empregos com frequência é uma coisa boa, e os jovens deveriam se planejar para faze-lo a cada três ou quatro anos:

“Acredito que a mudança mais importante e crítica na mentalidade das pessoas deve ser ver os empregadores como contribuidores inteligentes desde o início,” afirma McCord, que hoje treina e aconselha empresas e empresários em cultura e liderança. “Se mudarmos nossa perspectiva e dissermos, ‘Todos aqui querem entrar, fazer um bom trabalho, e contribuir,’ então ou eles se encaixam ou não,” acrescenta. “Você melhora suas habilidades mais rápido quando muda de empresa, por causa da curva de aprendizagem”.

Por quê a alta curva de aprendizagem? Porque os que trocam de emprego com frequência se vêem constantemente fora de sua zona de conforto. Eles entram nas empresas e sabem que precisam aprender rápido, deixar uma boa impressão e melhorar a margem – tudo dentro de poucos anos antes de sua próxima conquista. Como resultado, estes normalmente são super empreendedores a aprendem muito, em pouco tempo.

De acordo com Penelope Trunk, empreendedora em série e autora, a vida é, na verdade, “mais estável” com frequentes trocas de emprego:

“Em termos de gerenciar sua própria carreira, se você não mudar de emprego a cada três anos, não desenvolve habilidades para conseguir outro emprego rapidamente, então você não tem uma carreira estável”, diz Trunk à Fast Company. “Você é completamente dependente do lugar que trabalha, como se fosse 1950. [… ] As pessoas costumavam pensar que, quanto mais tempo você mantivesse um funcionário, maior seu valor para você, porque você os treina, eles se acostumam com seu trabalho e então o fazem. Mas, de fato, um funcionário que permanece no cargo e não está aprendendo em uma taxa realmente alta não está tão comprometido, logo não está fazendo um bom trabalho. Então, no fim, o funcionário que permanece por mais tempo é o que trabalha com menos qualidade, e o que caça empregos é o mais receptivo a se tornar extremamente útil mais rápido.

Trunk acredita que a curva de aprendizagem “enfraquece depois de três anos”. Embora haja exceções para trabalhos que as pessoas deveriam ficar por mais tempo, como o acadêmico, a maioria deveria sair [do atual emprego] se deseja manter-se engajada.

Mas e quanto às empresas? Todos sabemos como treinar funcionários é caro. Se as companhias precisarem ficar treinando novos funcionários, como isto afeta seus objetivos de negócios? Esta é uma preocupação comum das empresas para as quais McCord dá consultoria. Manter os funcionários é um grande problema que causa pesadelos aos empregadores, ela afirma. Eles investiram muito ao contratar grandes talentos. Em relação a isto, McCord adverte: “em 15 anos, enquanto sua empresa estiver crescendo rapidamente por causa de todos os ótimos funcionários que vieram e se foram, a menos que você seja uma instituição, não se preocupe se ninguém tiver conhecimento institucional de sua empresa.”

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