Le Petit Livre d’Au Revoir

 

Pequeno Livro do Ate Logo

Completou 1 mês que minha melhor amiga Boo foi pra Bélgica. Antes de ela partir, eu decidi escrever uma cartinha de despedida, algo bem bonito pra ela ter pertinho enquanto estiver longe de casa e, claro, pra ela guardar com carinho pro resto da vida. Era uma segunda-feira e eu corri na papelaria pra comprar um papel de carta bacanérrimo que combinasse comigo e que servisse bem pra eu escrever o que eu queria. O problema é que eu não achei nada que prestasse. Então pensei em arrancar algumas páginas de um caderno velho e escrever lá mesmo, de um jeito mais despojado. Mas não gostei da idéia, me parecia muito relaxada e porca. Então eu pensei uma última alternativa que, logo de cara, me agradou muito: eu faria um livro!

As idéias que tive

Eu sou apaixonado por livros e nada poderia ser mais perfeito do que dar de presente pra minha amiga um livro que eu mesmo tivesse feito, ao invés de uma carta. Assim, eu cumpriria meu objetivo de deixar uma mensagem, mas de uma maneira mais desafiadora e criativa. O problema era que eu só tinha 2 dias pra fazer isso.

Segunda-feira estava acabando e eu iria me encontrar com ela, pela última vez em 2010, na quarta-feira à noite. Eu precisava: escrever o texto, criar o projeto visual, fazer diagramação, fazer a paginação (porque eu não uso InDesign), imprimir, vincar e refilar, costurar, montar a capa dura, colar. Parecia muita coisa pra fazer… e era!

Pensei em um livrinho com 7x7cm, capa dura, luva, com uma carinha bem jovem.

Naquela noite eu cheguei em casa, sentei na frente do iMac e comecei a escrever… eu tinha medido um bloco de papel 220g e tinha planejado algo em torno de 60 páginas. Escrevi, escrevi e escrevi, planejei as quebras de linha e mais alguma coisa e comecei a diagramar tudo no Illustrator. Quando terminei, eu tinha 108 páginas. Foi um pouco além do que eu havia imaginado, mas não era problema, então mudei o papel pra uma gramatura menor. Peguei um saquinho de chá, fiz um corte e tirei o chá, já conto o porque.

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Assim que fiz a paginação no Illustrator

Terça-feira de manhã, cheguei na agência e, antes que chegasse algum job, comecei a paginação. Montei um boneco (sim, é desperdício de papel, mas eu não podia me dar o luxo de errar) e fui seguindo tudo o que eu tinha anotado. Algum tempo depois (já que eu fiz no Illustrator), estava com os PDFs todos prontos pra imprimir. Foram 10 folhas A3 frente e verso. Naquele dia, almocei um hot dog. Usei meu horário pra fazer os vincos e refilar todas as páginas. Deixei-as montadinhas pra poder costurar mais tarde. Cortei papelão Paraná e montei a capa dura, mas sem a guarda, que eu faria no dia seguinte quando colasse as páginas do livrinho. Naquela mesma noite, já em casa, costurei as páginas. Eu já tinha feito um teste no boneco que usei pra paginação, então eu já sabia o que ia enfrentar. Eram apenas 7 blocos de 16 páginas cada, mas, ainda assim, levei 50 minutos pra costurá-los todos juntos, de maneira simples, fazendo cortes nas lombadas das folhas com o estilete e passando a linha com a agulha de costura da minha mãe. Foi trabalhoso e eu dormi tarde, mas estava indo muito bem no meu projetinho.

A quarta-feira era o meu deadline. Eu sairia da agência as 18h pra poder passar o maior tempo possível com a Boo. Já tinha minhas páginas costuradas e a capa dura quase pronta, restava colar tudo junto. Fiz um padrão geométrico no Illustrator e o imprimi em folha A4, então usei esta arte para fazer a guarda do livro, e ela seguraria as pequenas páginas no seu devido lugar. Foi mais fácil do que eu imaginei, então tive um bom tempo pra imprimir a luva em papel vegetal e, pra dar o toque final, o saquinho de chá. Eu já tinha tirado o chá de dentro do saquinho, então o que fiz foi cortar um pequeno pedaço de papel vermelho em formato de coração e coloquei-o dentro do saquinho de chá. Ficou muito bonitinho!

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Terminei tudo, mais ou menos, umas 17h30. Maldito trabalho que não me deixava montar meu livrinho em paz, né. Mas, no final das contas, deu tudo certo, e eu consegui terminar.

Foi um dos projetos mais gostosos de fazer, me diverti de verdade, aprendi, montei um livrinho inteiro sozinho, com as minhas próprias mãos, e acho que era exatamente isso o que eu gostaria que fosse o meu presente de despedida. E, no fim das contas, tenho certeza de que a Boo adorou o presente, afinal, ela é obrigada a adorar… brincadeiras à parte, ela sabe que fiz com a maior dedicação do mundo!

p.s.: Como terminei em cima da hora, não tive tempo pra fotografar o meu trabalho concluído, então a Boo fez a enorme gentileza de me mandar as fotos que ela tirou, já na Bélgica. Obrigado, Boo.

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