Porta-retrato de presente

Ilustração de Flávio Dechen

Ilustração de Flávio Dechen

No mês passado a minha queridinha Laís (a mesma do chinelinho de panda) fez aniversário e, como de costume, eu quis fazer alguma coisa bem especial. O problema é que eu andava meio sem ideias, e também sem recursos, e queria que fosse algo sem muita complicação, pra que eu pudesse entregar no dia do níver dela (diferente do presente da Cá, que eu já atrasei 6 meses, mas não é culpa só minha, né). Mesmo sem complicação, eu precisava que o presente fosse alguma coisa bem pessoal e cheia de carinho, afinal de contas, faziam uns meses que a gente andava um pouco afastados e eu queria mostrar pra ela que, de jeito nenhum, ela tinha deixado de ser tão especial pra mim.

Eu decidi que ia dar um porta-retratos com alguma foto que fosse bem fofinha, e lembrei de uma que tiramos uma vez que fomos todos na lanchonete. Achei ela no iMac e joguei no Photoshop, e comecei a desenhar por cima, pra que o presente fosse feito à mão, claro. Arranquei o fundo, simplifiquei os traços, joguei uns doodles que eu desenhei e uma frase que dissesse “Ei, Laís, você é o máximo!” Achei que ficou muito bom. Imprimi na minha maquininha de fotos.

Mas não bastava. Eu queria realmente que ela percebesse o quanto é especial, então escrevi uma carta, comprida. Eu não sou de escrever cartas. Não gosto. Mas achei que era necessário. Então, o que eu fiz, foi deixar a borracha de lado e escrever a carta todinha de uma vez só, sem pensar, porque aí eu sei que tudo que eu estivesse escrevendo viria do coração, sem ser disfarçado pelo meu raciocínio. Acho que eu consegui. E escondi a carta dentro do porta-retrato, atrás da ilustração.

Fiquei bem satisfeito com o presente que eu fiz pra Laís, e sei que ela também gostou. Afinal, fiz com o maior carinho do mundo.

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