Um pouco de caligrafia

Ontem foi o último dia do Módulo I do Curso de Caligrafia para Designers que estou fazendo com a calígrafa Andréa Branco – semana que vem começo o Módulo II. Nas últimas semanas, aprendi muito sobre o surgimento e a evolução da escrita e criação de alfabetos, sobre a forma das letras, muita história e referências, lettering, ambigramas e, claro, o manejo de ferramentas com a pena de ponta quadrada e ponta de bico.

A imagem do topo é o meu trabalho final. Eu gostaria de ter feito algo mais complexo, com mais textura mas, por causa do prazo, foquei em trabalhar bem a construção das letras e a ideia. Agora que o trabalho já foi apresentado, vou botar a mão na massa de novo e melhorar o a aparência dele como “cartaz”. Enfim, deixa eu falar um pouco sobre o projeto final…

“I live the spirit of FUCKING Rock” foi o nome que eu escolhi porque, bem, define muito bem a minha personalidade e a visualidade dos meus projetos autorais – eu escuto, estudo e respiro rock n’ roll e por isto ele faz parte de tudo o que eu faço.

Como conceito, peguei a liberdade, transgressão e rebeldia dos roqueiros e até o seu amor em fazer bagunça e quebrar quartos de hotel. Então a palavra fucking sobrepondo rock faz referência ao fato de que, mais do que roqueiros, são garotos arruaceiros com vontade de quebrar tudo! Então por que não arruinar o meu próprio trabalho?

Para a frase “I live the spirit of” eu me inspirei na caligrafia Fraktur, quebrando um pouco e brincando com as peças (partes para construir uma letra) de cada letra e adicionando pontas, mas sem perder a estrutura essencial – afinal de contas, eu precisava também mostrar que havia aprendido a usar a ferramenta no curso.

Para a palavra Rock, apesar da inspiração na tipografia gótica textura quadrata, fui mais livre e trabalhei sem me preocupar com proporções e estrutura, tomando somente cuidado com a posição e preenchimento da palavra no meu canvas.

As letras góticas eu fiz com ponta quadrada e guache. Por fim, a palavra fucking fiz com pincel e acrílico, grande para cobrir e atrapalhar a leitura de rock, um lettering expressivo com a minha letra do dia-a-dia, quase como um pixo por cima de uma caligrafia tradicional – apesar de eu te-la modernizado e deixado o estilo de acordo com a minha proposta.

Uma das partes favoritas do trabalho todo foi a finalização, porque ela teve que ser feita “à moda antiga”, sobrepondo as folhas de papel vegetal que eu tinha escrito, com proporções e tudo direitinho, ajustadas e copiadas na folha de papel final sobre uma mesa de luz. O complicado é que, se errar, tem que começar do zero – e o pior é que na primeira vez eu enfiei o dedão e borrei a tinta fresca, então na verdade meu trabalho é a segunda finalização.

Sou apaixonado por tipografia e pretendo trabalhar o resto da vida dando ênfase às letras, quero desenvolver logotipos, fontes, etc. e por isto comecei o curso de caligrafia, afinal de contas, é dela que vêm as letras e a estrutura básica da tipografia. Eu recomendo para todo designer que também ama lettering que faça um curso de caligrafia – se não for com a Andréa Branco, ela recomendou um monte de outros nomes pra gente, então tem coisa boa por aí.

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